Category Archives: Pedro Abrenúncio

A Modos Que Soneto

A seus olhos convalesço
– ‘inda que me queira morto –
pois o raio é que sou torto
e a seus olhos recrudesço

Não me ignora e fico absorto
pois nem de raiva enrubesce
se aos seus olhos intumesce
o nabo que não do horto

Diz-se que é gata e não mia
– mas nem é mia nem gata! –
E se é disenteria de primata?

Vá para o galho que a suporte
Longe cague a nostalgia
Que noutro porto se conforte

[Pedro Abrenúncio]

A Doninha

A Doninha

Alegre tinha, uma Doninha,
entre ela e o cabaço
– juraram-lhe que tinha! -,
um aprimorado laço.

Pôs-se uma camisinha,
para cobrir o inchaço
provocado pela bainha,
e furou com desembaraço.

De rastos, vem a Doninha,
trôpega pelo eflúvio do bagaço
e diz: “virgem não era a vizinha
mas, porra!, era bom o melaço”.

[Pedro Abrenúncio]

Clister

 
 
E quando, à noite, regressado,
cansado perguntei-lhe:
Querida, vamos fazer amor?
Pôs-se de joelhos e,
sorrindo, disse-me:
Amor, não. Antes um clister…
 
Dei-lhos!
[Pedro Abrenúncio]

Poema Incidental

A Cenoura

Quando cresceres
O que queres ser?
Perguntavam aos petizes
– eu ouvia incrédulo –
Uns queriam ser juízes,
Outros padeiro ou régulo.
Uma queria ser doméstica
Uma outra, ser doutora,
Chegada a minha vez:
– Eu queria ser cenoura.

[Pedro Abrenúncio]

Direito de Resposta

Tratamento sem igual,
muito longe do cházinho,
é beber um Chivas Regal,
e ir prá cama pianinho.

Entre o Benfica e bocetas
vivo a vida expedito, que
antes muitas ¨maledettas¨
que tão só um ¨benedito¨.

Ao contrário da cerveja
– sempre a servir fria –
venha a mulher em bandeja,
quente, sem menarquia.

E o aspecto esverdeado
tem toda a razão de ser
é cor de leão enfezado
pelo glorioso a sofrer.

[Pedro Abrenúncio]

Ensandecido

Ó!…Doce porvir
Escancarado nos olhos.

Ó!…Puro desejo
Humedecendo os sentidos.

Ó!…Terno relógio
Parado no tempo.

Ó!…Divina espera
Do meu sofrimento.

Ó!…olhos que vêem
Castrar a verdade.

Ó!…Néon refulgente
Do meu paraíso.

Ó!… Puta da vida
Que perdi o juízo.

[Pedro Abrenúncio]